Paulo Freire (1987) nos ensina que crer no povo, nos educandos, nas pessoas, é a condição prévia para mudança, que ocorre como consequência de uma transformação primeiramente individual e posteriormente coletiva. Neste sentido, ainda de acordo com Freire, ser um revolucionário é se reconhecer no povo. Dizer-se comprometido com a libertação e não comungar com o povo de seus problemas, aflições e opressões é um equívoco.
Diante disto, se faz necessário compreender as formas de dominações e suas estruturas como também a forma de comportar-se desses oprimidos diante da opressão, pois dentro desses padrões, desses marcos concretos em que se fazem duais, é natural que descreiam em si mesmo, sem voz, nem vez e sem ação.
Paulo Freire nos convida a olhar para essas pessoas presas nas armadilhas sociais, desumanizadas pelo sistema socioeconômico atual e estruturas de governos impostas. Neste caso, deve-se fazer o esforço por parte dos educadores e também da sociedade como um todo para favorecer a reflexão dos menos favorecidos sobre suas condições concretas. Reflexão esta que não deve limitar-se a teoria, mas principalmente a prática.
Paralelamente a isto Freire (1996), também relata que a educação tem um papel de fundamental importância para a libertação dos indivíduos, para tanto a escola deve sair do tradicionalismo e vestir uma nova roupagem, que busque mediante a prática da pesquisa, tanto do corpo docente como também discente, para o que é proposto em sala de aula venha condizer com a realidade de seus envolvidos, colaborando assim para o despertar da curiosidade e consequentimente para uma consciência crítica que contribua para sua libertação.
Ainda neste sentido, Hoffiman também explica que a avaliação mediadora é uma importante ferramenta na educação, visto que por meio da mesma é possível observar de forma interativa com os educandos, os conhecimentos adquiridos por ambas as partes, e o que ainda necessita ser visto e também melhorado, já que o professor, como explica Rogers, não é o único detentor do saber, ele também deve estar junto com seus alunos obtendo o conhecimento de forma mútua e contínua. Isto diferentemente do modo arcaico em que tinha a avaliação como um instrumento de autoridade de quem a aplicava. Não que a autoridade não seja importante, mas ela deve ser adquirida e não imposta. Por meio desta avaliação mediadora, o processo ensino aprendizagem passa a ser mais confortável o que acaba resultando em uma aquisição mais significativa do conhecimento para alunos e também professores, de forma não opressora.
Também vale salientar algumas características, que segundo Freire (2003), são indispensáveis para o professor em sala de aula, são elas: a humildade em que ele explica que dificilmente o professor ouvirá quem ele julgue menos competente, se ele não possuir esta característica; amorosidade segundo ele não deve estar apenas ligada aos alunos, mas também ao próprio processo de ensinar; a coragem em que o educador deve superar o próprio medo; a tolerância, sem ela é impossível um trabalho pedagógico produtivo; a segurança que demanda competência científica, clareza política (não privilegiar um aluno mais que o outro), e por fim a paciência “o discurso paciente é sempre bem comportado enquanto o impaciente vai mais além do que a própria realidade suportaria” Freire (2003 p55-61). Essas características juntamente com o domínio teórico facilitarão o processo entre professor e aluno e consequentemente a um aprendizado críticosocial ao mesmo tempo em que contribuem para o educando tornar-se um sujeito realmente livre.
Em suma o caráter eminente pedagógico da libertação, consiste na teoria do autor suparacitado (1987): “(...) ninguém se liberta sozinho, e não se pode realizar esse processo com homens pela metade (...)”. Esta liberdade não se limita apenas a comer e dormir, mas também para criar, construir, para admirar e aventurar-se.
ALGUMAS QUESTÕES PARA REFLETIR:
1- De que forma você vê a educação como um processo de libertação?
2- O que você entende por conscientização?
3- Que instrumentos poderiam ser utilizados para conduzir o educando a compreensão da realidade?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra,1996
Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 17ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.
Freire, Paulo. Professora sim, tia não. 14 ed. Olho d´agua, sp, 2003.
Freire
Hoffmann, Jussara. O jogo do contrário em avaliação. Porto Alegre: Mediação, 2005.
MILHOLAN. F. E forinha bill. E. Skinner x rogers: Maneiras contrastantes de encarar a educação. 3 ed. São Paulo: Summus,1978
Equipe: Allyne Nonato, Damiana Dos Santos, Ivanete Medrado, Priscila Cordeiro e Solange Nogueira.
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